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PROPRIEDADES DA MADEIRA

1. NOMENCLATURA DE ESPÉCIES DE MADEIRA
As madeiras freqüentemente recebem nomes de acordo com os nomes populares das árvores das quais são extraídas. Como exemplo tem-se a espécie orelha de macaco que é conhecida por esse nome devida o seu fruto ter semelhança com uma orelha de macaco.
Devido à grande quantidade de espécies de madeiras tropicais, à extensa região de ocorrência e ao significativo fluxo de comercialização, observam-se a utilização de múltiplos nomes comerciais para uma mesma madeira, bem como a existência de diferentes madeiras comercializadas sob um mesmo nome. Observa-se ainda, com freqüência, que os nomes são dados pela suposta semelhança com outras madeiras mais conhecidas e consagradas pelo uso, ou ainda, a adoção de termos como padrão cerejeira, padrão mogno, padrão sucupira e outros. Com esta diversidade de madeiras e nomes comerciais, torna-se difícil saber a realidade do comércio das madeiras tropicais, pois muitas dessas espécies ocorrem em outros países e já possuem outra nomenclatura comercial.
Desta maneira, podemos observar, que uma mesma espécie que tem uma distribuição ampla, possui vários nomes baseados em diferentes conceitos e um mesmo nome usado para espécies diferentes, mas muitas vezes, não têm nada em comum. Por outro lado, padronizações mais abrangentes, também são difíceis de serem adotadas, ainda mais se tratando de países com línguas diferentes.
A nomenclatura botânica é o único sistema de nomenclatura internacionalmente aceito, no qual as madeiras são denominadas pelo nome da espécie de onde são extraídas. Qualquer padronização de nomenclatura com vistas a organizar o mercado madeireiro, deve, obrigatoriamente, estar associada a esta nomenclatura.
No Brasil, o Laboratório de Produtos Florestais - LPF/SFB/MMA realizou um levantamento da nomenclatura comum e científica das árvores brasileiras formando um banco de dados e um catálogo impresso (CAMARGOS et al., 2002). Neste catálogo estão registrados mais de quatro mil espécies, com cerca de quinze mil nomes comuns e comerciais utilizados para estas espécies. Além de reunir a nomenclatura popular e científica, indica o nome comum mais adequado para cada espécie botânica servindo também como base de dados utilizada para orientação dos projetos de manejo florestal autorizado pelo IBAMA.

2. NOMENCLATURA BOTÂNICA
O número de espécies vegetais conhecidas é muito grande, exigindo, a nível mundial, um sistema que apresente os princípios básicos, as regras e as recomendações a serem seguidas quando se referir a um vegetal. Assim como os animais, também existem entre os vegetais um parentesco que permite fazer agrupamentos baseando-se em características comuns morfológicas, anatômicas e químicas dos órgãos vegetativos e reprodutivos.
A unidade básica de um sistema de classificação é a espécie e em ordem ascendente da escala tem-se: gênero, família, classe e divisão; podendo ter outras categorias intermediárias como subfamílias, tribos, subtribos, subclasses, etc. Dessa maneira, cada espécie pertence a um gênero. Grupos de gêneros similares a uma família e às famílias, por sua vez, são arranjados em ordens; e as ordens em outras divisões mais abrangentes do reino vegetal. Estas, por sua vez, são agrupadas em linhas evolutivas que resultam em vários sistemas de classificação, sobre os quais não trataremos neste contexto.
O nome de uma espécie é uma combinação de duas palavras (nomenclatura binomial), escritas em latim, sendo a primeira o nome genérico indicativo do grupo a que pertence e a segunda, o nome específico denominado de epíteto específico. Para que o nome da espécie seja preciso e completo, é necessário que seja citado o nome do autor ou autores que fizeram, pela primeira vez, a descrição da espécie. Exemplo de duas espécies de vegetais colocados em seus respectivos grupos botânicos:

Nome Comum       Mogno                        Pinheiro do Paraná
Reino                   Vegetal                        Vegetal
Seção                  Fanerogama                 Fanerogama
Divisão                 Angiospermae              Gmnospermae
Classe                 Dicotiledoneae              Coniferae
Ordem                 Geraniales                    Coniferales
Família                 Meliaceae                    Araucariaceae
Gênero                 Swietenia                     Araucária
Espécie         Swietenia macrophylla         Araucaria angustifolia

As duas espécies acima pertencem a dois grandes grupos de vegetais produtores de madeiras, com características morfológicas e anatômicas distintas entre si. Na Divisão Angiospermae (latifoliadas) estão as plantas com folhas largas e sementes envolvidas por uma casca. Este grupo é também conhecido por hardwoood por ser representado por madeira de maiores massa específica, como o ipê, a maçaranduba, o cumaru e outras.
Na Divisão Gymnospermae (coníferas) estão as plantas com folhas aculiformes (em forma de agulhas) e “frutos” sem casca, em forma de cone com sementes expostas. Esse grupo é conhecido também por sofwood por ser representado, geralmente, por madeira de massa específica mais baixa como espécies do gênero Pinus, o pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia (Bert.) Kuntze) e outras.

3. PARTES DA ÁRVORE
As árvores, como a maioria das plantas superiores, possuem raízes, caules, folhas, flores e frutos. O que diferencia as árvores das demais plantas superiores é a presença de um caule com eixo principal (tronco), entre a copa e as raízes. A raiz é a parte da árvore que serve para fixar a planta no solo e absorver a água e os sais minerais. O caule conduz a seiva, armazena substâncias de reserva, dá resistência mecânica e sustenta a copa. As folhas absorvem a luz solar e os gases da atmosfera e elaboram substâncias alimentares necessárias ao desenvolvimento da planta. As flores comportam os órgãos reprodutivos da planta que, após a fecundação, transformam-se em frutos. Estes, por sua vez, possuem em seu interior as sementes que são dispersas pela própria planta, por agentes da natureza, animais ou pelo próprio homem. A árvore é um ser vivo complexo, com um ciclo de vida bastante prolongado, sendo que algumas delas chegam a alcançar 2000 anos.
A árvore cresce e desenvolve-se, em toda a sua vida, tanto em altura quanto em espessura. O crescimento em altura é denominado crescimento primário que ocorre nas partes apicais. Esse processo é o responsável pelo alongamento do tronco e ramos. O crescimento secundário é o responsável pelo aumento em diâmetro da árvore. Esse aumento se dá por meio de uma camada de células delicadas denominadas câmbio vascular, situada entre a casca interna (floema) e a madeira (xilema), camada essa que se estende por todo tronco, ramos e raízes. O câmbio, por meio de divisões celulares, adiciona novas camadas de células para o lado de dentro formando novas camadas de madeira e, para o lado de fora, produzindo a casca interna ou floema. Analisando uma seção do caule (regiões do tronco) no sentido casca-medula, têm-se na seqüência os elementos a seguir que são mostrados na figura 1.
a) Casca - A casca externa (ritidoma) tem como função proteger o floema, o câmbio e o lenho dos fatores que podem causar danos à árvore, tais como fogo e geada. A casca interna (floema) que se situa junto ao câmbio e tem como função conduzir as substâncias nutritivas (seiva elaborada) nas plantas vasculares. é conhecida também como líber.
b) Câmbio - compõe-se de camadas de células situadas entre o lenho (madeira) e a casca interna (floema) e dá origem a estes tecidos. c) Alburno - é formado pelas camadas mais exteriores ou mais novas da madeira, onde se dá o transporte da seiva bruta por meio dos vasos e estocagem de substâncias de reserva nas células do parênquima. A madeira dessa região geralmente é mais clara, mais leve e mais susceptível ao ataque de pragas. A maioria das células é ativa na árvore viva, mas nas camadas mais interiores dessa região as células apresentam envelhecimento constituindo o "lenho agonizante" que vai se transformar em cerne.
d) Cerne - é a parte mais interna do caule, constituída por tecido fisiologicamente inativo. A madeira dessa região vai, gradativamente, perdendo a atividade vital e adquirindo, freqüentemente, coloração mais escura devido à deposição de taninos, gomas, óleos, resinas e outros materiais resultantes da transformação das substâncias de reserva contidos nas células do parênquima do alburno interno antes de sua morte e posterior transformação em cerne. A cor mais escura, entretanto, não é uma condição necessária para existência de cerne. Existem espécies como o marupá - Simarouba amara Aubl. e o morototó - Schefflera morototoni (Aubl.) Decne. & Planch. onde não se observa diferença de coloração entre estas duas regiões. Em outras espécies, como o pau-santo – Zollernia paraensis Hurber e a muirapixuna - Swartzia leptopetala Benth., ocorrem cerne-alburno bem distintos pela cor. O cerne apresenta uma durabilidade natural bem maior do que o alburno e a principal razão disso é a presença de extrativos tóxicos aos organismos degradadores da madeira. A presença de infiltrações que inibem o ataque de fungos e insetos não está intimamente ligada à cor do cerne como muitas vezes se supõe (Panshin & de Zeeuw, 1980), mas sim, à toxidez dos extrativos, que podem ser de cor clara ou escura. Na transformação do alburno em cerne, além das infiltrações por extrativos mencionadas, há também obstrução de vasos pela invasão de células de parênquima (tilos ou tiloses) em madeiras de folhosas e o fechamento das pontuações nas coníferas. A formação de tiloses e a infiltração das células por extrativos fazem com que o cerne apresente uma maior massa específica e durabilidade. A menor penetrabilidade é provocada, principalmente, pela obstrução dos vasos por tilos ou extrativos, tornando o cerne mais resistente à impregnação de preservativos e a causa de dificuldades na secagem. Por outro lado, a obstrução dos vasos reduz a quantidade de ar e de umidade, dificultando o desenvolvimento de fungos.

figura1.jpg

Figura 1 - Representação esquemática do tronco de uma árvore mostrando suas diferentes regiões (adaptado: fonte desconhecida)


e) Lenho juvenil - são as camadas de madeira formadas imediatamente em torno da medula quando a planta era jovem. Essas camadas de madeira foram formadas quando a árvore iniciou seu crescimento em espessura (engrossamento), sendo assim um tecido menos resistente, o qual durante os processos de secagem contrai mais que o restante do lenho, contribuindo para empenamentos. Tanto o lenho juvenil quanto a medula são susceptíveis ao ataque de pragas como cupins, formigas e fungos, provocando, muitas vezes um oco no centro do tronco, mesmo na árvore em pé (figura 2).
f) Medula - a medula é a parte mais interna do tronco ou ramos, podendo ser central ou excêntrica, com diâmetro variável de um milímetro a dois centímetros. É formada por células parenquimatosas, provenientes de crescimento primário. Muitas vezes, ela é mais escura, destacando-se bem do lenho, porém, em algumas espécies, é difícil de ser percebida (figura 2).
g) Anéis de crescimento - É uma série de camadas de crescimento concêntricas, muitas vezes alternadas em partes claras e escuras de diferentes espessuras, que vão da medula até a casca, resultantes das divisões sucessivas do câmbio influenciado por condições ambientais e por condições específicas da espécie. Desta forma, as atividades do câmbio não são de forma contínua. Em regiões onde as estações do ano são bem definidas, os anéis de crescimento são bem diferenciados: Na primavera e verão, época mais propicia ao crescimento da árvore, a camada de madeira formada é de menor massa específica. Já no outono e inverno, período de repouso vegetativo, a camada de madeira é de maior massa específica e de maior resistência. Portanto, o número de anéis de crescimento na seção transversal do tronco, permite avaliar a idade da árvore, considerando que cada anel se desenvolveu durante o ano (figura 2).

Figura2.jpg

Figura 2 - Anéis de crescimento da seção transversal de um tronco


4. CARACTERES GERAIS E ORGANOLÉPTICOS
a) Cor - A cor das madeiras, principalmente do cerne, é um caractere que em muitos casos, além de ser importante na identificação de madeiras, pode ser também uma característica decisiva na escolha de uma espécie para um determinado uso. A cor é causada principalmente por extrativos presentes nas células e em suas paredes, tais como: taninos, resinas, óleos e outros, depositados principalmente no cerne. A madeira serrada sofre alteração de cor com o passar do tempo, em exposição à luz, ataque de fungos e bactérias, variação do teor de umidade e pela oxidação de seus elementos orgânicos. Para que a cor natural se mantenha ao longo do tempo é necessária a utilização de produtos que sejam impermeáveis e resistentes à ação dos raios de luz. Geralmente, as madeiras de cores escuras apresentam maior durabilidade natural, porque alguns destes extrativos são tóxicos aos fungos e insetos.
A descrição de cor da madeira pode ser feita, utilizando o sistema CIE (Comissão Internacional de Iluminantes), cujo método define a sensação de cor baseada em três elementos (luminosidade, tonalidade e cromaticidade). Os dados colorimétricos são obtidos através de um espectrofotômetro.

b) Cheiro e gosto - Assim como a cor, o cheiro é uma característica importante na classificação em usos finais e também é usado na identificação de madeiras. O cheiro é causado por substâncias voláteis, presentes principalmente no cerne. Devido à volatilidade dessas substâncias, o cheiro vai diminuindo gradualmente com a exposição. Em muitas madeiras, após umedecimento, o cheiro torna-se novamente evidente. Quando é evidenciado um cheiro característico, procura-se classificá-lo em agradável e em desagradável, o que é bastante subjetivo. Em muitas espécies de madeiras como as pertencentes à família botânica Lauraceae, ocorre um odor característico que é considerado para a maioria dos observadores como agradável como na madeira de sassafrás (Ocotea pretiosa) com odor semelhante à cânfora. Odores desagradáveis são observados em madeiras como cupiúba – (Goupia glabra) e angelim-vermelho (Dinizia excelsa). Ocasionalmente, são encontradas também madeiras com gosto característico. O gosto é produzido por substâncias solúveis. Assim como o cheiro, o gosto é mais evidenciado em madeiras verdes ou com alto teor de umidade.
As espécies de madeiras que tem grande quantidade de tanino possuem gosto adistringente. Entre as madeiras brasileiras, a fava-amargosa (Vatairea sericea) possui uma substância que confere à espécie um gosto amargo e, ao ser cortada ou lixada, provoca espirros constantes no operador. Assim, como exemplo, engradados para transporte de gêneros alimentícios, devem ser fabricados com madeiras inodoras.

c) Grã - Este termo refere-se ao arranjo e à direção das células que constituem a madeira, ao longo do tronco ou em relação ao plano de serragem ou corte de uma peça de madeira. Quando uma madeira é rachada, ela parte seguindo a direção dos elementos axiais, ou seja, ao longo da grã. A grã tem influência decisiva na qualidade da madeira serrada, nos defeitos que podem surgir durante o processo de secagem, na estabilidade dimensional, na resistência mecânica de peças fletidas, no arqueamento, etc. Assim, grã inclinada exige maior trabalho com lixa no acabamento, no arqueamento as fibras se separam rompendo a peça e o desalinhamento dos elementos anatômicos faz com que a perda de dimensões durante a secagem seja desordenada dando origem a uma maior quantidade e diversidade de defeitos.
- Grã direita: É aquela na qual os elementos constituintes da madeira mantêm um certo paralelismo com o eixo vertical da árvore e quando rachada apresenta uma superfície lisa. Esse tipo de grã facilita a operação de serragem. Segundo Panshin & Zeenw (1980), qualquer forma de desvio da condição de grã direita é considerada um defeito estrutural na madeira, devido à redução da resistência da peça na qual ela ocorre. Esta é a orientação mais comum e desejável, por fornecer madeira serrada de maior qualidade, tanto em termos de resistência estrutural, quanto de processamento primário e secundário, acabamento e estabilidade dimensional no processo de secagem.
- Grã irregular: Quando os elementos axiais apresentam variações irregulares de orientação em relação ao eixo vertical da tora ou peça de madeira.
- Grã espiralada (torsa): Quando os elementos axiais são regularmente colocados em disposição espiral ao longo do tronco. As peças de madeira retiradas de um tronco com este tipo de grã apresentam grã do tipo oblíquo.
- Grã entrecruzada ou revessa: É uma forma modificada de grã espiral, em que os elementos axiais estão alinhados obliquamente ao eixo longitudinal do tronco, mas alternadamente para o lado direito e esquerdo. O crescimento deste tipo é referido por Jane (1970), como grã de dupla espiral ou revessa.
-Grã inclinada: É o desvio angular apresentado pelos elementos constituintes longitudinais da madeira, com respeito ao eixo longitudinal de uma peça de madeira (IAWA COMMITTEE, 1964).
Madeiras com este tipo de grã são difíceis de serem partidas no sentido radial, pois nessa direção encontram-se as camadas sucessivas de crescimento inclinadas em direção opostas. Pela mesma razão, a superfície radial de uma peça de madeira serrada apresenta-se geralmente com faixas ásperas intercaladas com faixas lisas ao tato.
- Grã ondulada: Neste tipo de grã, os elementos axiais da madeira apresentam ondulações. Estas ondulações ocorrem geralmente no plano tangente aos anéis de crescimento da madeira. Partindo a madeira no plano tangencial, obtém-se uma superfície lisa e, no plano radial, obtém-se uma superfície transversalmente corrugada (JANE, 1970). Em madeira serrada no sentido tangencial, não se observa a figura, porém, na superfície radial, as fibras onduladas produzem um efeito de barras transversais, causadas pela variação de reflexão da luz incidente.
Em muitos casos, observa-se, simultaneamente, grã ondulada e grã revessa, formando figuras bastante atrativas, muitas delas com denominações especiais no mercado internacional. Já foi observada variação de grã dentro de uma mesma espécie.

d) Dureza - A dureza é determinada pela penetração de uma semi-esfera com 1 cm2 na madeira. É um indicador das características físicas e mecânicas da madeira, pois depende principalmente do volume da parede celular (PANSHIN & DE ZEEUW, 1980). A espessura da parede celular é diretamente proporcional à dureza da madeira.

e) Brilho - É a propriedade da madeira de refletir luz. A intensidade do brilho depende do ângulo em que os raios de luz incidem sobre a superfície e do tipo de célula exposta na superfície. Por exemplo, na face radial (perpendicular aos anéis de crescimento) geralmente reflete melhor a luz que a face tangencial. (PANSHIN & DE ZEEUW, 1980).

f) Textura - É um termo usado para se referir às dimensões, à distribuição e à abundância relativa dos elementos estruturais da madeira (JANE, 1970). Em coníferas, é verificada pelo diâmetro tangencial dos traqueídeos; em folhosas, são usados os diâmetros e o número de vasos, a largura dos raios e o parênquima axial. Conforme o próprio nome diz, a madeira de textura fina apresenta uma superfície uniforme e lisa, ideal para usos, onde um bom acabamento é essencial. Madeira com textura grossa exige maior processamento com lixa e dificilmente se consegue um bom acabamento.
Conforme (CORADIN E MUÑIZ, 1991), para madeira de folhosas são apresentados os tipos a seguir definidos:
- Textura fina: poros com diâmetro tangencial inferior a 100 m e parênquima invisível a olho nu ou escasso.
- Textura média: poros com diâmetro tangencial de 100 a 300 m e parênquima visível ou invisível a olho nu.
- Textura grossa: poros com diâmetro tangencial superior a 300 m. Madeiras com raios muito largos a extremamente largos e parênquima muito abundante também são referidas como tendo textura grossa, mesmo quando os diâmetros dos vasos são inferiores a 300 m.

g) Figura - É qualquer característica inerente à madeira que se sobressai na superfície plana de uma peça de madeira (JANE, 1970). As figuras são causadas por diferentes caracteres e apresentam-se de diversas maneiras. Entre as madeiras nativas, freqüentemente, ocorrem figuras causadas por variações na cor. Quando a madeira possui anéis de crescimento distintos, observa-se na superfície tangencial (tangente aos anéis de crescimento), figuras em forma de V, U e outras formas irregulares. Os anéis ainda formam faixas ou linhas de cores distintas se vistos na superfície radial. Na face radial de madeiras com raios largos ou bem distintos, observam-se figuras em forma de linhas transversais como na madeira de faeira - Roupala montana. A distinção entre parênquima e fibras, dá origem a figuras diferenciadas, como na madeira de angelim-pedra (Hymenolobium excelsum). Alguns tipos de grã também fornecem figuras que se sobressaem em função do tratamento dado à superfície nos processos de serragem e acabamento.

5. PROPRIEDADES FÍSICAS
Para efeito de caracterização física, pode-se idealizar a madeira como um material anisotrópico, com três direções principais, perpendiculares entre si, coincidentes com a direção longitudinal (ao longo do comprimento da árvore), tangencial (tangente aos anéis de crescimento) e radial (em direção ao centro da árvore). A seguir serão descritas as principais propriedades físicas da madeira.

a) Teor de umidade - Por ser um material higroscópico, a madeira entra em equilíbrio com o ambiente, perdendo ou absorvendo água, em função da umidade relativa e temperatura do ar. Esta sensibilidade em perder ou ganhar umidade e sua influência nas propriedades físicas e mecânicas, comportamento na secagem, eficiência nos processos de preservação, durabilidade natural, trabalhabilidade, acabamento e produtos derivados, faz desta característica, uma das mais importantes no estudo do comportamento da madeira.
Os vasos ou traqueídes fazem o transporte da seiva bruta das raízes até as folhas e a seiva elaborada desce pela camada entre o alburno e a casca (floema), alimentando as células da madeira, através dos raios. A maior parte da seiva é constituída de água, que está, portanto, preenchendo os espaços vazios dos traqueídes, vasos, raios, fibras e espaços intercelulares. Esta água é chamada de água livre e se mantém, por meio de forças capilares. Pode ser retirada com relativa facilidade, por algum processo de secagem, sem alterar suas características dimensionais e propriedades físicas e mecânicas. Existe também, a água de impregnação, que se encontra nas paredes das células, estando sujeitas a forças eletrostáticas a nível molecular, por estarem ligadas aos grupos hidroxilas das moléculas de celulose, holocelulose e lignina. A retirada desta água requer maior consumo de energia do que a água livre, ocorrendo o fenômeno de retração, devido à aproximação das cadeias de celulose e, conseqüentemente, alterações significativas nas propriedades da madeira.
A madeira é considerada verde quando contém água livre e água de impregnação. Quando somente a água livre é removida, permanecendo a água de impregnação, diz-se que a madeira está com um teor de umidade correspondente ao ponto de saturação das fibras. O ponto de saturação das fibras varia de espécie para espécie, porém, permanecendo em torno de 30 % de teor de umidade para a maioria das espécies. Abaixo do ponto de saturação das fibras (a madeira já perdeu toda a água livre e teve início à perda de água de impregnação), a madeira tende a estabilizar-se, quando seu teor de umidade entra em equilíbrio com a temperatura e umidade relativa do ar. Este ponto é chamado de teor de umidade de equilíbrio. Como exemplo, em ambiente com temperatura de 20 °C e umidade relativa do ar de 65 % a madeira tende a atingir um teor de umidade de equilíbrio de 12 %. Assim, pode-se concluir que num país com dimensões territoriais como o Brasil, o teor de umidade de equilíbrio da madeira com o ambiente é bastante variável.
Como exemplo, o teor de umidade de equilíbrio médio anual da madeira em Porto Alegre é de 14,9 % ; em São Paulo, 15,4 % ; Belo Horizonte, 13,6 % ; Manaus, 17,1 % e Belém do Pará, 18,8 %, segundo (GALVÃO, s.d.)
O teor de umidade (Tu) é definido como a relação entre o peso de água livre e de impregnação contida na madeira e o seu peso seco (sem água livre e de impregnação), expresso em porcentagem. Para uma peça de madeira, temos:

(Peso úmido - peso seco em estufa)
Tu = ---------------------------------------------------------x 100
(Peso seco em estufa)

onde o peso úmido, se refere ao peso da madeira, na umidade em que se encontra e o peso seco em estufa, ao seu peso após secar em estufa a uma temperatura de 103º C mais ou menos 2º C , até atingir peso constante. Este é o processo mais exato de se determinar o teor de umidade.
É muito comum, o uso de medidores portáteis, que não são tão precisos, porém possuem as vantagens de ser práticos e rápidos, por permitirem estimar o teor de umidade no local, sem necessidade de cortar e transportar o material para laboratórios. Esses medidores se baseiam nas propriedades elétricas da madeira, que funciona como resistência elétrica para fechar o circuito, quando da penetração de agulhas na peça de madeira.
Em função do uso a que se destina, é muito importante que a madeira, esteja próximo ao teor de umidade de equilíbrio da região, para que sejam evitados problemas indesejáveis, conseqüentes de alterações nas suas formas e dimensões originais. Para fins estruturais, se considera a resistência da madeira em condição seca, quando se encontra com teor de umidade de equilíbrio regional. À medida que o teor de umidade aumenta, a madeira vai perdendo resistência até atingir o ponto de saturação, onde permanece estabilizado. O teor de umidade tem influência decisiva em todas as aplicações possíveis. Nunca se deve trabalhar ou utilizar a madeira em estado verde exceto quando esta for colocada imersa em água.

b) Massa específica - É definida como massa da amostra por unidade de volume. Por coincidência de definição de unidades do Sistema Internacional de Unidades (SI), onde as grandezas básicas são o comprimento, a massa e tempo e no Sistema MKS e MKS técnico as grandezas básicas são o comprimento, a força e o tempo. O valor numérico de massa, em unidades do SI, é praticamente igual ao valor numérico de peso, em unidades do MKS técnico. Desta forma, é comum expressar a massa específica ou massa específica, como a relação entre peso e volume de uma amostra. Como a massa e o volume, representam a parte sólida (madeira), líquida (água) e vazios celulares e intercelulares, foram definidos quatro valores de massa específica para uma mesma amostra de madeira. Isto se faz, pela importância da massa específica como parâmetro referencial de qualidade da madeira em relação a usos específicos, devido à sua alta correlação com várias outras propriedades. Portanto, a palavra massa específica, pode trazer dúvidas ou interpretações errôneas, se não vier acompanhada das condições de umidade em que foi obtida. A massa específica do material lenhoso (somente madeira) é de aproximadamente 1500 kg/m3, independente da espécie de madeira, porém este valor nada representa em condições normais de utilização.
O peso específico é definido como sendo a relação entre o peso da amostra de madeira e o peso do volume de água deslocada, pela imersão da amostra. Portanto, é adimensional. Como no sistema métrico a massa específica da água é igual a um, o valor numérico da massa específica e peso específico são o mesmo.
As normas de caracterização especificam os procedimentos para obtenção do peso da amostra (dimensões, precisão de balança, etc.) e seu volume (medidas diretas com paquímetro, imersão em água ou mercúrio, etc.), na determinação dos valores da massa específica.
- Massa específica verde (Dv): É a relação entre a massa (m.v.) e o volume (v.v.), ambos em condição de saturação das fibras e vazios celulares e intercelulares. Nestas condições, se diz simplesmente madeira saturada. Como acima de ponto de saturação das fibras, o volume permanece constante, o mesmo não acontece com o peso, considerando a quantidade de água livre que se encontra nos vazios celulares e intercelulares. Daí, a importância de verificar se a massa específica verde é saturada ou esta a um determinado teor de umidade acima do ponto de saturação das fibras, principalmente para madeiras leves. Esta determinação é utilizada na estimativa de peso para transporte, peso próprio de estruturas e na aplicação de programas de secagem de madeira. Normalmente, a massa específica verde encontrada na bibliografia é em condição saturada, isto é, também os vazios internos estão completamente cheios de água.

m.v
Dv = --------------------
v.v

expresso em g/cm³ ou kg/m³)

- Massa específica e seca: É a relação entre a massa (m.s) e o volume (v.s), ambos em condição seca em estufa, a 0 % de teor de umidade. É uma característica importante na escolha de espécies de madeira para fins energéticos.

m.s
Ds = --------------------
v.s

expresso em g/cm³ ou kg/m
- Massa específica básica: É a relação entre a massa (m.b) seca em estufa a 0 % de teor de umidade e o volume (v.b) verde (saturado). Por ser mais fácil de determinar, ser mais precisa em termos de condições de umidade e por meio dela ser possível estimar a massa específica aparente, a massa específica básica é muito usada na comparação entre propriedades de espécies e na condução de programas de secagem.

m.s
Db = --------------------
v.v

expresso em g/cm³ ou kg/m³

- Massa específica aparente (Dap): É a relação entre a massa (m.ap) e o volume (v.ap), ambos a um teor de umidade definido. Normalmente, a massa específica aparente é determinada a 12 % ou 15 % de teor de umidade. É a massa específica mais difícil de obter, pela necessidade de condicionar a madeira em ambiente climatizado, sendo portanto, um processo demorado, além de muitas vezes, ser necessário corrigir os valores obtidos, devido à variação que normalmente ocorrem em torno do teor de umidade desejado. É utilizada na avaliação do peso próprio de estruturas em viga laminada colada, em madeira maciça e comparação de espécies para usos específicos.

m.ap
Dap = --------------------
v.ap

(expresso em g/cm³ ou kg/m³)

A massa específica aparente (Dap) pode ser determinada através da massa específica básica (Db) e contração volumétrica (ver item seguinte), de acordo com as equações seguintes,

Dap. = ((1 + Ui/100)/(1 – Cvui/100))Db com Ui < 30%

Dap. = (1 + Ui/100)Db com Ui ≥ 30%

onde, Ui é o teor de umidade desejado em porcentagem e CVUi o valor da contração volumétrica da madeira saturada até o teor de umidade Ui.

c) Estabilidade dimensional - A estabilidade dimensional é a capacidade que a madeira possui de retrair-se ou expandir-se com a perda ou ganho de umidade. Conhecer bem esta característica é de grande importância na definição de usos finais, tais como portas, janelas, móveis, pisos, forros, etc. e no estabelecimento de programas de secagem adequados. Abaixo do ponto de saturação das fibras, a variação no teor de umidade, é acompanhada de alterações nas dimensões da peça de madeira, devido ao ganho ou perda da água de impregnação das paredes celulares. Estas alterações são medidas quantitativamente, na direção dos três eixos principais: tangencial (DT), radial (DR) e longitudinal (DL), conforme mostra a Figura 5.

figura5.png
Figura 5 – Direções principais

A estabilidade dimensional da madeira se aproxima de uma função linear em relação ao teor de umidade. A contração na direção tangencial é sempre maior do que na direção radial e na direção longitudinal é bastante pequena, variando em torno de 0,5%. Madeiras mais estáveis possuem baixos valores de contração e relação entre contração tangencial e radial menor ou igual a dois. Podemos determinar a contrações tangencial, radial, longitudinal e volumétrica da madeira, entre o ponto de saturação das fibras e 0% de teor de umidade, através da equação,

              CONTRAÇÃO DIMENSIONAL (%) = ((Dimensão verde - Dimensão seca em estufa)/(Dimensão seco em estufa))x100

              INCHAMENTO DIMENSIONAL (%) = ((Dimensão seca em estufa - Dimensão verde)/(Dimensão verde))x100

Assim, através dos valores numéricos das contrações e razão entre contração tangencial e radial é possível prever o comportamento da madeira durante a secagem. Madeiras com baixa contração e baixa razão de contração são as mais estáveis, tanto em termos de variação de dimensões com a variação do teor de umidade, quanto a possibilidade de aparecimento de defeitos com a secagem. Usos tais como pisos, paredes, forros, portas, janelas e lambris, onde a variação dimensional pode ser desastrosa deve-se utilizar madeira com baixa contração e razão de contração.

6. PROPRIEDADES MECÂNICAS
Um material que possui as mesmas propriedades em qualquer direção é chamado de material isotrópico. Quando as propriedades variam de uma direção para outra é denominado de anisotrópico. Quando um material apresenta simetria em três direções e suas propriedades não variam numa mesma direção, variando, porém de uma direção para outra, são chamados de ortotrópicos. A existência de três direções ortogonais bem definidas e simétricas na madeira, que são as direções, longitudinal, tangencial e radial, permite à concepção simplificada de se considerar a madeira como um material ortotrópico para efeito de determinação de suas propriedades de resistência. Desta forma, seria necessário determinar estas propriedades para cada um dos três eixos principais. Porém, como as propriedades de resistência não variam significativamente em relação à direção tangencial e radial, as normas de caracterização recomendam que os ensaios sejam realizados na direção mais desfavorável, de forma que, para efeitos práticos de cálculo e dimensionamento de estruturas, basta que se determine o esforço nas direções paralela e perpendicular às fibras.
As propriedades de resistência da madeira estão diretamente relacionadas com a massa específica. De forma geral, madeiras mais densa são mais resistentes, mas podemos encontrar espécies de mesma massa específica, onde algumas propriedades de resistência sejam maiores ou menores do que de outra espécie.
a) Tipos de ensaios - Os resultados de ensaios de caracterização em pequenos corpos-de-prova sem defeitos têm como um dos objetivos determinar o potencial de usos das espécies de madeiras, seja através de análise destas propriedades ou pela comparação com espécies já tradicionalmente utilizadas no mercado. O alto custo de caracterização de peças em tamanho estrutural fez com que a maioria das normas de dimensionamento de estruturas utilizasse os valores destes ensaios para determinar as tensões de cálculo de estruturas. As peças estruturais passam por um processo de classificação visual e/ou mecânico de resistência e a partir dos ensaios em pequenos corpos-de-prova sem defeitos, são determinadas as tensões de cálculo.
O uso de pequenos corpos-de-prova sem defeitos permite eliminar a influência de defeitos tais como nós, rachaduras, inclinação das fibras e teor de umidade na caracterização de madeiras.
Assim, as espécies de madeiras podem ser comparadas, sem a influência destas variáveis, que alteram significativamente as propriedades de resistência de forma aleatória, dificultando a análise das reais características físicas e mecânicas de uma determinada espécie de madeira.
Os ensaios de caracterização descritos a seguir são realizados em corpos-de-prova com teor de umidade na condição verde e a 12% ou 15% de teor de umidade, conforme metodologia de normas específicas, onde são definidos o sistema de amostragem, a velocidade de carregamento, dimensão, esquema estático e número de corpos-de-prova em função da precisão desejada.
- Tração paralela às fibras: Existem poucas informações disponíveis sobre a resistência à tração paralela às fibras. Por ser o corpo-de-prova de difícil execução, a possibilidade das garras da máquina de ensaios esmagarem as fibras na compressão perpendicular, leva a resultados de ensaios pouco confiáveis. Outro fator relevante é que, nas estruturas correntes, normalmente são as conexões de extremidade que definem a área necessária para resistir a esforços. Esta propriedade tem importância no dimensionamento de treliças e comparação entre espécies.

- Tração perpendicular às fibras: Na tração perpendicular às fibras a madeira possui baixa resistência, apresentando um alto coeficiente de variação nos resultados de ensaios. A resistência na direção radial é um pouco superior à resistência na direção tangencial, porém pode chegar a quase 40 vezes maior na direção paralela às fibras. O resultado desse ensaio é utilizado nas estruturas em arco.


- Compressão paralela às fibras: Normalmente o ensaio é realizado em corpos-de-prova de seção quadrada, cujo comprimento é de quatro vezes a largura da seção, onde se determina a tensão de ruptura e o módulo de elasticidade. Esta propriedade é usada para dimensionamento de pilares ou colunas, comparação entre espécies e ligações. O módulo de elasticidade na compressão paralela às fibras é aproximadamente igual ao módulo de elasticidade na flexão, para madeira tropical com teor de umidade acima do ponto de saturação as fibras.


- Flexão estática: Normalmente o ensaio é realizado em corpos-de-prova de seção quadrada, com esquema estático de viga isostática biapoiada com carga concentrada central ou dois pontos de carga eqüidistantes dos apoios determinando a tensão de ruptura e o módulo de elasticidade. A relação vão livre/altura da peça fica em torno de 18 a 20. Estas propriedades são usadas para dimensionamento de peças fletidas, comparação entre espécies e arqueamento.


- Compressão perpendicular às fibras: Como o esforço é perpendicular ao eixo das fibras, o que ocorre é a compactação das fibras (eliminação dos vazios) e, conseqüentemente, o aumento da capacidade de carga da peça de madeira. Sob a ação de cargas pontuais (parafusos, por exemplo) a resistência da madeira aumenta devido ao esforço de tração que surge nas fibras durante a deformação. A resistência máxima é caracterizada pela capacidade de carga no limite proporcional. A carga no limite proporcional na compressão perpendicular às fibras é de aproximadamente cinco vezes menor que a tensão de ruptura na compressão paralela às fibras, para madeiras tropicais, com teor de umidade acima do ponto de saturação das fibras. Esta propriedade é usada no dimensionamento do apoio de vigas, treliças, dormentes e comparação entre espécies.


- Cisalhamento paralelo às fibras: Considerando as três direções principais na madeira, temos o cisalhamento paralelo às fibras que ocorre no plano radial ou tangencial, perpendicular às fibras que ocorre no plano radial ou tangencial (deslizar as fibras sobre si mesmas) e perpendicular às fibras no plano de corte das fibras. Normalmente não se considera o cisalhamento perpendicular às fibras no plano de corte, devido à alta resistência de corte das fibras, cujo esforço necessário, com certeza, já terá causado a ruptura por outro tipo de solicitação, como por exemplo, na compressão perpendicular às fibras ou flexão. Apesar de que algumas normas recomendam que os ensaios de cisalhamento paralelo às fibras sejam feitos com 50% dos corpos-de-prova no plano tangencial e 50% no plano radial, a variação da resistência não é significativa, em termos de utilização estrutural. Esta propriedade tem importância no dimensionamento de vigas, ligações e comparação entre espécies.


- Dureza: Consiste na penetração de uma semi-esfera, na direção paralela e perpendicular às fibras. Esta propriedade possui uma boa correlação com as outras propriedades de resistência da madeira e é utilizada na comparação de propriedades entre espécies.


- Fendilhamento: Mede a resistência da madeira em rachar no sentido longitudinal. Tem importância nos entalhes de apoio de vigas, rachaduras com a penetração e resistência com a extração de pregos.


- Resistência ao impacto: Em relação à madeira existem dois tipos de ensaios de determinação da resistência ao impacto. A flexão dinâmica, que se caracteriza pela aplicação de cargas rápidas e sucessivas e a tenacidade, que utiliza o princípio básico do pêndulo. Sabe-se que o comportamento da madeira sob impacto é diferente quando comparado com o carregamento estático. O estudo do comportamento dinâmico da madeira tem aplicação em aeronaves, máquinas, equipamentos esportivos, dormentes, embalagens, escadas, carrocerias em geral, cabos de ferramentas, etc.

7. SECAGEM DA MADEIRA
Sendo um material higroscópico, a madeira entra em equilíbrio com o ambiente, perdendo ou absorvendo água, em função da umidade relativa e temperatura do ar. Este comportamento tem grande influência nas propriedades físicas e mecânicas, eficiência nos processos de preservação, durabilidade natural, trabalhabilidade, acabamento e produtos derivados, tornando esta característica, uma das mais importantes no estudo e caracterização da madeira.
O custo relativamente alto e a falta de conhecimento da importância de se secar a madeira até o teor de umidade de equilíbrio regional, faz com que a madeira seca encontrada no mercado fique limitada a determinados usos, onde esta condição é indispensável na obtenção de produtos de qualidade, tais como tábua corrida (assoalho), lambri, forro, portas, janelas, móveis, etc. Mesmo assim é importante conferir se o produto esta com o teor de umidade desejado. Isto somente pode ser feito com segurança, através de ensaios com amostras em laboratório ou uso direto de medidores elétricos.
É interessante observar que muitas vezes a madeira verde é transportada em grandes distâncias para serem secadas no destino final. No caso de madeira de baixa massa específica, onde o volume de água é bastante significativo, este aspecto é bastante contraditório, considerando que se paga um alto custo para transportar esta água e, posteriormente, se paga novamente para retirá-la, utilizando-se uma estufa, por exemplo.
Para retirar a água da madeira é necessário seguir procedimentos específicos, que procuram otimizar a relação entre a obtenção de um produto final sem defeitos que possam diminuir seu valor comercial e rapidez no processo de secagem.
Trabalhar a madeira seca (de 12% a 15% de teor de umidade) resulta em produtos de qualidade, maior aproveitamento (menor ocorrência de defeitos), maior estabilidade dimensional, menor custo de transporte, aumento da resistência mecânica e isolamento térmico, acústico e elétrico, impede a ação de fungos apodrecedores, aceita melhor o tratamento preservativo, a cola e pintura de forma geral.
A velocidade de secagem depende basicamente da espécie de madeira e espessura das peças. Madeiras de baixa massa específica, normalmente secam mais rapidamente. O alburno, por ser mais permeável que o cerne, apresenta maior facilidade de secar. O tempo de secagem não segue uma função linear em relação à espessura,. Exemplificando, dobrando a espessura da peça de madeira, o tempo de secagem fica em torno de 4 vezes maior.
Os processos mais comuns de secar madeira são a secagem natural ou secagem ao ar livre e a secagem artificial ou convencional.
a) Secagem natural - A secagem natural consiste no empilhamento da madeira na horizontal e elevada do piso, utilizando sarrafos de madeira seca como separadores, em área coberta e sem paredes, para que o vento, a temperatura e umidade do ar ambiente se encarreguem de secá-la até atingir a umidade de equilíbrio do local. A altura dos separadores, o tamanho, arranjo e a posição da pilha em relação aos ventos dominantes, a espécie de madeira, a espessura das peças e as condições climáticas (temperatura, ventilação e umidade do ar) são os fatores que afetam diretamente o tempo de secagem e o seu teor de umidade final. As principais desvantagens deste processo são o tempo relativamente longo para secar a madeira e o teor de umidade final, que fica condicionado às condições climáticas da região. Outra forma de secagem natural é o empilhamento tipo tesoura. Consiste na colocação das peças inclinadas e alternadas num apoio horizontal superior (cavalete). A secagem é mais rápida que no empilhamento horizontal, porém é desuniforme (a parte superior seca mais rapidamente que a inferior) e, em conjunto com a falta de travamentos intermediários, apresenta tendência a empenos e torceduras.
b) Secagem artificial - Apesar de ter um custo mais elevado, a secagem artificial ou secagem convencional é consideravelmente mais rápida, permite um maior controle de defeitos de secagem e, ao final da secagem é possível atingir teores de umidade bem inferior à umidade de equilíbrio regional. Consta basicamente, de uma câmara fechada com dispositivos para fornecer calor, umidade e ventilação. O aquecimento do ar no interior do secador é realizado através de serpentinas de vapor gerado em caldeiras ou ar quente gerado diretamente na queima de carvão ou resíduos de serrarias. A umidificação é feita através da injeção de vapor de água a baixa pressão e a circulação do ar através de ventiladores. De forma simplificada, a ventilação tem a função de distribuir uniformemente a temperatura ao longo da altura, do comprimento e entre as peças de madeira empilhada de forma adequada dentro do secador. A umidificação tem a função de impedir a perda excessiva de água na superfície, para evitar rachaduras superficiais, sendo um fator extremamente importante no controle de velocidade da secagem.
Qualquer que seja o processo utilizado na secagem, o controle de temperatura, umidade e ventilação é básico na obtenção de peças com qualidade. No secador convencional, isto se faz através da utilização de programas de secagem, que contém informações de quando e como estas variáveis devem ser alteradas no secador. Eles são elaborados em ensaios de laboratórios, para otimizar a secagem em termos de tempo e minimizar a presença de defeitos numa determinada espécie. Assim, o programa de secagem pode apresentar variações significativas de uma espécie para outra. Diz-se que uma espécie é difícil de secar quando o processo é lento e com possibilidades de surgir defeitos que possam causar prejuízos significativos.

8. PRESERVAÇÃO DE MADEIRAS
O processo de deterioração inicia-se com o abate da árvore, principalmente entre espécies de baixa massa específica face ao ataque de fungos e insetos, que se nutrem e se abrigam na madeira. Os fungos manchadores são os mais combatidos em madeira branca de baixa massa específica. Em função disso, devem ser tomados cuidados especiais com relação à época de abate, rapidez na preservação química, transporte, condições de armazenamento das toras, desdobro e secagem. Por fim, para dar continuidade a esse processo de conservação e preservação, é necessário adequar a diversidade de aplicações com técnicas construtivas apropriadas e escolha de espécies de madeira que apresentem propriedades naturais coerentes com os usos finais.
Durabilidade natural é a resistência da madeira ao ataque de agentes biológicos (fungos e insetos) e não biológicos (desgaste mecânico e degradação física e química). A maioria de dados sobre durabilidade natural existente se baseia em observações práticas empíricas obtidas ao longo dos anos, de maneira informal, não sendo utilizado nenhum critério metodológico de avaliação. Os ensaios de durabilidade natural em campo normalmente são de difícil execução, considerando a sua longevidade e, conseqüentemente, a continuidade das avaliações que devem ser realizadas periodicamente. Geralmente, as espécies de madeiras de maior massa específica são mais duráveis na sua forma natural. No entanto deve-se salientar que algumas espécies de madeira de alta massa específica apresentam pouca durabilidade natural em ambiente muito agressivo, como por exemplo, em contato direto com o solo. É muito importante em termos de economia e durabilidade, que cada espécie seja avaliada individualmente para que seu emprego seja feito de forma eficaz, considerando as condições de exposição definidas em projeto, tais como, lançamento da estrutura, detalhes construtivos e manutenção. Impregnar a madeira com substâncias químicas possibilita o aumento de sua durabilidade, eliminando sua maior desvantagem como material pouco durável, proporcionando-lhe características semelhantes ou melhores do que outros materiais tradicionalmente utilizados na construção civil.
a) Prevenção natural
O conhecimento das condições de exposição e o uso de espécies de madeiras adequadas diminuem sensivelmente os riscos de ataques por agentes destruidores tornando muitas vezes dispensável o uso de preservativos químicos. A seguir serão descritos alguns cuidados que devem ser tomados, como forma preventiva para aumentar a durabilidade da madeira em serviço:
- Evitar a presença de muita umidade próxima à madeira;
- Sempre que possível, manter os apoios de pilares a uma distância mínima de 15 cm do piso;
- Remoção de entulhos da obra;
- Os blocos de concreto, com pilares de madeira embutidos, não devem apresentar fissuras ou trincas e possuir um sistema de drenagem na sua parte inferior, para evitar o armazenamento de água;
- Utilizar produtos impermeabilizantes incolores;
- Verificar a qualidade da madeira, evitando a presença de alburno, rachaduras e sinais de ataque de fungos e insetos; - Beirais grandes para proteção de chuva e sol;
- Manter um espaço entre o forro e a telha para ventilação ou colocar uma manta impermeabilizadora;
- Utilizar espécies de madeira que apresente a durabilidade natural necessária para o uso em questão;
- Exigir do projetista um sistema construtivo que apresente uma certa facilidade na substituição de peças, que elimine a possibilidade de acúmulo de água e que permita a maior ventilação possível;
- O uso de peças de madeira com seção transversal acima das necessidades de cálculo, nos locais de grandes riscos, tende a elevar a sua vida útil.
b) Tratamento com preservativos - Tratamento preservativo é a impregnação da madeira com substâncias químicas (tóxicas), de forma a envenenar seus nutrientes para matar e inibir o desenvolvimento de fungos e insetos. Existem vários métodos de tratamento da madeira com preservativos. A escolha do método a ser empregado depende de aspectos econômicos, agressividade do meio, facilidade de reposição, da espécie de madeira e das condições de exposição. Qualquer que seja o método empregado, deste que utilizado de forma adequada, tende a aumentar significativamente a vida útil da peça de madeira. Basicamente existem cinco métodos de preservar a madeira: Tratamento com pressão, substituição de seiva, banho quente-frio, imersão e aspersão ou pincelamento. A impregnação de produtos preservativos com pressão é o mais eficiente, porém exige altos custos de instalações.
A escolha do método que atenda às necessidades de utilização está condicionada a condição de exposição, a aspectos econômicos, a durabilidade natural da espécie de madeira, ao acabamento e possibilidade de reposição. Assim, por exemplo, nas estruturas de coberturas convencionais, onde normalmente se utilizam espécies de madeira de alta massa específica, o tratamento preservativo é dispensável, porque as condições de exposição não são agressivas e espécies de madeiras densas possuem a durabilidade natural necessária. Já os pilares, quando fixados em blocos de concreto ou diretamente no solo, é necessário que a madeira seja tratada de forma adequada. Outro aspecto importante a ser observado no momento da escolha do método de tratamento é o grau de facilidade na retirada e reposição da peça de madeira. Sob todos os aspectos, trocar uma estaca de cerca é muito mais fácil do que trocar um pilar de um galpão, por exemplo.
Outra característica importante da espécie de madeira em relação ao tratamento com produtos preservativos é sua permeabilidade. A permeabilidade é a aptidão da madeira em deixar que o preservativo penetre o mais profundamente possível. Desta forma, o tipo de produto e a forma de aplicação, influem na eficiência do tratamento que é medido pela retenção e penetração do preservativo na madeira. O teor de umidade tem muita importância no método de tratamento a ser utilizado. Como exemplo, o tratamento com pressão requer teores de umidade abaixo de 30% e pelo processo de substituição de seiva a madeira deve estar com elevado teor de umidade.

9. ACABAMENTO E MANUTENÇÃO
A madeira quando exposta à luz solar, por períodos prolongados, sofre um processo de deterioração superficial perdendo sua cor natural e adquirindo um aspecto escuro e acinzentado. Desta forma é necessário o uso de produtos de acabamento que tem a função de impermeabilizar e deixar a madeira com uma aparência agradável. Até o momento não foram desenvolvidos produtos que deixem a madeira na sua cor natural.
O “stain”, apesar de alterar a cor natural da madeira, tem a vantagem de uniformizar a cor da madeira, visualizar a sua textura, possuir pigmentos fungicidas e inseticidas, impermeabilizar e ser de fácil manutenção, já que não há necessidade de remover o produto velho, bastando limpar a superfície e aplicar o novo produto sobre o antigo.
Sendo um material de aparência agradável, a tendência natural é utilizar acabamentos transparentes para permitir sua visualização. Numa edificação composta de diferentes materiais, esta tendência é justificada pela possibilidade de tirar partido da combinação de contraste. Já numa edificação toda em madeira, a pintura com tinta de cor tem a vantagem de impermeabilizar e, conseqüentemente, aumentar a sua durabilidade e melhorar o conforto do ambiente em relação à temperatura, considerando que na maioria das vezes, as madeiras utilizadas na construção são escuras. Conforme já foi visto, como regra geral, madeiras de alta durabilidade natural são pesadas e madeiras pesadas são escuras.
Uma telha quebrada ou trincada pode causar infiltração no forro ou na estrutura de cobertura elevando a umidade e, conseqüentemente ao apodrecimento. Produtos de acabamento envelhecidos alem de apresentar um aspecto desagradável, perdem a função impermeabilizante tornando a madeira susceptível a absorver umidade.

10. TRABALHABILIDADE
Os ensaios de trabalhabilidade ou usinagem são feitos em máquinas convencionais de carpintaria, com o objetivo de fornecer dados práticos sobre a qualidade do acabamento superficial na desempenadeira, lixa, broca e torno.

Ferramentas pessoais